O Senado da UNISETI para o presente ano lectivo tomou posse esta tarde, no Club Setubalense, no final da palestra do Professor Carlos Gomes, “Portugal e a consciência moral”. A posse foi conferida pela Direcção, representada pelo Professor Alberto Alves. O Senado, de carácter consultivo, é constituído por três docentes eleitos entre os seus pares, três alunos eleitos pelos colegas, reitor, vice-reitor e responsável pelos serviços administrativos.

Na correria do dia-a-dia, muitas vezes os afectos ficam para segundo plano e há muitos idosos que estão sozinhos mesmo quando vivem acompanhados. Sobra, para quem tem oportunidade, o contacto com os voluntários que muitas vezes se limitam a dar um pouco de atenção a quem se sente só. Manuel Bragança dirige, em Lisboa, a associação de voluntários “Coração Amarelo”, que pretende tornar mais leve a solidão dos mais velhos, porque como diz, este é “o sentimento mais triste que se pode ter quando se é idoso”. O Estado melhorou em muito as condições de assistência aos idosos, com os cuidados continuados, mas há coisas que escapam, como dar carinho, fazer companhia ou dar afecto, acrescenta Manuel Bragança. No dia 10 de Janeiro, foram encontrados mortos em suas casas em Lisboa, nove idosos. Viviam em diferentes zonas da cidade, não se conheciam, mas todos estavam sozinhos. Directa ou indirectamente foi a solidão que os matou.

Fonte: Mundo Sénior.

Grupo de Cantares da UNISETI actua no Largo da Misericórdia (Dezembro, 2009).

A população mundial está mais velha e o número de idosos cresce a um ritmo nunca antes visto, a conclusão é de um relatório da Divisão de População das Nações Unidas publicado esta semana. Nunca na história da Humanidade se assistiu a um envelhecimento da população tão rápido:  nos dias de hoje uma em cada nove pessoas tem mais de 60 anos, em 2050 prevê-se que seja uma em cada cinco pessoas a ter esta idade, revela a TVNET. Mas antes, em 2045 a população com mais de 60 anos será superior ao número total de crianças com menos de 14 anos.Este envelhicemento dá origem a consequências no consumo, no mercado de trabalho, nas pensões, impostos, no sistema de saúde e até mesmo na composição das famílias. Actualmente, a idade média mundial são 28 anos, o Japão é o país mais envelhecido no mundo, com uma média de 44 anos, já do outro lado da tabela encontramos o Niger, com a população a ter uma idade média de apenas 15 anos. Quanto a Portugal aparece em oitavo lugar: a idade média dos portugueses ronda os 40 anos.

Fonte: Mundo Sénior.

Portugal manteve-se em 2008 com uma taxa de pobreza de 18%, ligeiramente superior à da média europeia (17%), noticia o Jornal de Negócios. Mas os dados mais recentes, divulgados pelo Eurostat, revelam uma descida considerável do risco de pobreza entre os mais idosos reformados, que é, porém, contrariada por um risco de pobreza acrescido entre os que têm até 18 anos. Segundo o gabinete de estatística da União Europeia, 18% da população portuguesa viveu em 2008 (último ano para os quais há dados comparáveis ao nível europeu) com menos de 60% do rendimento médio nacional per capita, definição que corresponde ao “limiar de pobreza” e, que, no caso português, se traduziu em 5800 euros anuais. Trata-se do mesmo valor que o apurado no ano anterior, numa tendência de estabilização do risco de pobreza seguida pela média europeia. Um olhar mais atento à evolução da taxa de risco de pobreza por classes etárias revela, no entanto, alterações significativas entre 2007 e 2008. No espaço de um ano, o risco de pobreza entre os mais novos (até aos 17 anos inclusive) passou de 21% para 23%. Já entre os que têm mais de 65 anos observou-se uma redução, de 26% para 21%. Entre os empregados, o risco de pobreza manteve-se em 12%. Estes valores comparam com médias na UE-27 de 20%, 19% e 8%, respectivamente, com Portugal a exibir taxas mais elevadas em todos os segmentos.

Fonte: Mundo Sénior.

Fotos: Pedro Soares.

Sessão Solene Comemorativa do Dia da Universidade
3 de Novembro de 2009, Auditório Charlot, Setúbal

 


Exma. Senhora representante da Câmara Municipal de Montijo
Exmo. Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria da Graça
Exmo. Senhor Prof. Doutor José Félix Costa, Orador Convidado
Exmos. Convidados
Exmos. Membros dos Corpos Sociais da UNISETI
Exmos. Membros do Senado
Exmos. Membros do Corpo Docente
Caríssimos Alunos
Minhas Senhoras e meus Senhores,

Estamos aqui reunidos para celebrar seis anos de actividade ininterrupta da Universidade Sénior de Setúbal, uma instituição que é hoje uma referência incontornável nesta cidade, que se tem caracterizado pela seriedade dos seus propósitos e pela qualidade dos seus serviços.

É, pois, com muito orgulho e satisfação que nós, Reitoria e Direcção, vivemos este dia, pois o percurso desta instituição nunca foi fácil, e isso confere um sabor especial às conquistas de cada dia que passa.

Com efeito, os primeiros dois anos foram extremamente difíceis, em termos financeiros, visto não dispormos de quaisquer apoios. A autarquia informou-nos de que não dispunha de verbas para nos poder apoiar. O tecido empresarial da região também não estava sensibilizado para tal, e a nossa sobrevivência foi praticamente um milagre, tendo em conta os pesados encargos com o aluguer de espaços em zona central da cidade a que tínhamos que responder.

Restava-nos pois uma certa teimosia, a vocação de servir a população sénior, e a convicção profunda de que um trabalho destes, com o potencial que encerra, não podia voltar atrás. Fizemos das fraquezas forças, captámos a atenção e o interesse de um número crescente de professores qualificados e de um número também crescente de alunos interessados.
Não podíamos desiludir estas pessoas nem a importância que o dia-a-dia da UNISETI tem na vida de tantos.

Há cerca de quatro anos recebemos um impulso anímico muito forte, com o pedido da Câmara Municipal de Montijo, no sentido de estabelecer naquele concelho um Pólo da UNISETI, em parceria. Foi muito importante para todos nós, esse reconhecimento, pois o mesmo constituiu um estímulo decisivo para o nosso trabalho. Neste momento a Universidade Sénior de Montijo (Pólo da UNISETI) conta com cerca de 150 alunos e 40 professores, a funcionar na Casa Senhorial, Quinta do Saldanha, propriedade da autarquia, e vai muito bem.

No ano passado foi a UNISETI honrada com a eleição do seu reitor para a presidência da Mesa do Conselho Geral da RUTIS (Rede das Universidades da Terceira Idade), e voltou a ser honrada, mais tarde, com o convite para recebermos em Setúbal, no próximo mês de Maio, o Dia Nacional das Universidades Seniores – 2010, desafio que aceitámos prontamente e com muita satisfação.

O Dr. Luís Jacob, presidente da RUTIS, não está aqui presente devido às tarefas preparatórias do II Congresso Mundial do Envelhecimento Activo, que começa amanhã, em Santarém, e onde eu e o nosso vice-reitor estaremos presentes, e eu participarei num dos painéis.

Tudo isto reforça e sublinha o reconhecimento pela qualidade e eficácia do trabalho desenvolvido, honra essa que a reitoria endossa ao Corpo Docente, aos Serviços Administrativos e a toda a comunidade da UNISETI em geral.

Das decisões tomadas na última reunião do Conselho Geral da RUTIS, no passado dia 16 de Outubro, no Entroncamento, são de realçar a candidatura de Portugal a organizar o Encontro Mundial das UTIs, em 2011, assim como a criação de dois grupos de trabalho, um para elaborar a Carta dos Direitos dos Seniores (proposta por nós) e outro para estudar o desenvolvimento de uma Comissão Nacional de Protecção ao Idoso.

É tempo de o governo do país colocar os olhos neste movimento das UTI’s, que já são cerca de 120, no Continente e Ilhas, estando agora a nascer instituições do género também entre as comunidades portuguesas no estrangeiro (caso da África do Sul p. e.). Já tentámos sensibilizar deputados e membros de partidos políticos para esta nova realidade, mas por enquanto prevalece a inércia do costume.

É fundamental que o governo da república encontre formas de apoiar este trabalho, tão importante do ponto de vista social e cultural, da valorização e dignificação da pessoa idosa, e que desempenha uma função relevantíssima em termos de saúde pública. Mas que seja capaz de resistir à tentação de estragar o bom que está feito, através de regulamentações autistas e desenquadradas da realidade, com base em formulações teóricas de quem só conhece o país e as instituições sentado atrás de uma secretária, como vai sendo hábito.

É necessário ir mais longe. Desenvolver uma nova filosofia social que encare os seniores não mais como um peso morto, como até aqui, mas como um activo social de valor, quer pelo vivido, quer pelas competências pessoais e profissionais específicas de que dispõem e que uma sociedade avisada e sensata não pode deitar pela borda fora, sob pena de se condenar a si mesma à insignificância e ao insucesso.

É pública e por demais conhecida a minha opinião de que não compete às autarquias a criação deste tipo de instituições, mas sim à sociedade civil, de modo a que nunca se criem condições para uma possível e provável instrumentalização político-partidária das universidades seniores. Mas já compete às autarquias locais apoiar, de diferentes formas, a actividade destas instituições, quando forem merecedoras de tal, ou estabelecer parcerias com as mesmas.

Continuamos a lutar com dificuldades de espaço. As nossas dificuldades financeiras permanentes estão associadas aos custos dos espaços que utilizamos, e impedem-nos de desenvolver outras acções culturais e educativas que reputamos como importantes e necessárias.

Por isso, quero comunicar à família da UNISETI que a nossa presidente da Câmara – que não pode estar presente pelos motivos já expressos no início da sessão – em conversa recente, nos manifestou o desejo de se vir a encontrar uma solução adequada e definitiva para as nossas instalações. Estou esperançado que consigamos alcançar esse desiderato.

Até porque esperamos contribuir, também no plano estritamente cultural, para o desenvolvimento de trabalho de reflexão e investigação sobre a realidade local, de modo a enriquecer o conhecimento e o espólio sobre a nossa história.

Há um ano lancei aqui o projecto do CEP (Centro de Estudos Pós-Graduados), como uma forma de proporcionar aos alunos interessados e com competências para tal, a possibilidade de produzir trabalho e pensamento, com um grau de exigência académico. Neste momento temos seis alunos no programa, e outros estão agora a candidatar-se. Daqui sairão certamente subsídios importantes para a história e a cultura de Setúbal e do país.

Mas a Universidade Sénior de Setúbal não está aqui apenas para desenvolver a educação, a cultura, a saúde física, mental e emocional, ou a vertente lúdica. Como instituição setubalense queremos contribuir para a qualidade de vida do cidadão sénior e para o desenvolvimento e valorização do papel social do idoso.

Neste sentido a Reitoria está, neste momento, com um novo projecto entre mãos, e que é a criação de um Observatório Sénior neste concelho. Queremos fazê-lo em parceria com a Câmara Municipal e outras instituições públicas ou particulares que possam contribuir para este fim.

A ideia é fazer a caracterização da população com mais de sessenta anos, residente no concelho de Setúbal, assim como das respostas sociais existentes, da forma o mais próxima da realidade possível, de modo a que possamos desenvolver pensamento e propor estratégias a quem de direito, mas também aos cidadãos e às famílias em geral, no sentido da valorização e da promoção da qualidade de vida dos seniores.

Queremos dar esse contributo, até porque hoje em dia a sociedade começa, finalmente, a despertar para a necessidade de introduzir as mudanças necessárias no cuidado com os idosos.
Por exemplo, há um debate neste momento sobre a melhor forma de fazer face aos crescentes maus tratos à pessoa idosa. Uns pensam que o ideal será alargar as actuais Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, de modo a incluir os idosos, e outros entendem ser melhor a criação de comissões específicas para o efeito. Ou seja, perante uma realidade nova há que encontrar novas soluções.

Precisamente por isso, nós, como instituição vocacionada para trabalhar com os seniores, pretendemos dar o nosso contributo, em conjunto com todos os homens e mulheres de boa vontade.

Durante estes seis anos a UNISETI tem cumprido um papel fundamental na sociedade setubalense, e vai continuar a desempenhá-lo.

Continua a dispor de um potencial de crescimento muito grande, e vai continuar a crescer.

Preza muito a sua autonomia dos poderes políticos, religiosos ou sociais de qualquer ordem, e vai continuar assim, a assumir-se como casa comum de todos os que vierem por bem, independentemente dos seus enquadramentos particulares.

Felicito toda a família da UNISETI nesta data festiva, e dirijo uma palavra de agradecimento a todos os nossos parceiros, com destaque para a Fundação Montepio, que nos tem apoiado ultimamente, e cujo apoio tem sido decisivo.

Uma palavra, também, de especial apreço para todos os cerca de 50 professores, sem cujo saber, disponibilidade e espírito voluntário não seria possível erguer esta obra.

E por último, mas não menos importante, uma palavra de especial carinho a todos os nossos alunos, que rodam os 350, e que são a razão de ser desta casa. Estamos cá para vos servir.

Permitam-me que termine com um poema que escrevi há alguns anos, e que aqui dedico, com muito carinho, a todos os alunos da UNISETI:
O SER PENSANTE

Um pássaro a bordejar o vento
anuncia
lá no alto
o despertar tardio
de um certo rio
preso dentro do ser pensante.

As margens da noite não compreendem
ainda
o caminho do vento
e o ser pensante hesita
nas orlas
de um prazer quase impossível.

De olhos feitos ao breu
e em fundo, um fado antigo
desgraçado,
o ser pensante subsiste
rasteiro
pesado
triste.

- Ah! Que vontade escondida
que prazer, que sonho, que vida,
de bailar bem no cimo da rua
de gritar, sem medo, até à Lua
de passar a porta sem gazua,
e de cantar uma ópera
única
só minha
e tua.

Novembro, 2005
In “Partilha de Emoções” (antologia poética), UNISETI, Setúbal, 2006.

Veja a reportagem da Setúbal TV no Dia da Universidade, aqui.

Durante a tarde deste dia não haverão aulas, para que alunos e professores possam estar presentes nesta Sessão Solene Comemorativa.

Página Seguinte »