Às 15h30 do dia 7 de Março reuniram-se no Club Setubalense perto de 70 pessoas, docentes, alunos, familiares e amigos da Uniseti. Celebrou-se neste dia a MULHER. O ambiente aquecido ao som do piano pelas mãos do Maestro Rui Serôdio libertava amizade e despertava cumplicidade entre todos os presentes.
Viveu-se, de facto, momentos de grande convívio e partilha de emoções. Todos fomos presenteados pela presença de Luísa Todi (representação da Professora de Teatro, actriz do TAS) e pelo enquadramento histórico-social da vida desta mulher pelos alunos de Literatura Portuguesa.
Houve, ainda, uma breve “viagem” a França e à batalha conquistada pelos direitos e igualdade de género, apresentação da turma de Francês. Tivemos ainda tempo para recordar “As grandes mulheres da História” através da breve palestra da Dra. Palmira Santana (docente de História da Arte). Ainda antes da abertura do lanche pudemos sentir o poder das palavras proferidas pela poetisa Alexandrina Pereira, num extraordinário momento de poesia organizado pela turma Oficina de Poesia.

TEMPO PARA SONHAR

Entra um raio de Sol pela janela… amanheceu.
Mais um dia igual a outros
E sem que nada aconteça…o dia começa.
Varro a cozinha, e sem parar vou apressada comprar o pão
Volto p’ra casa , e sem descansar
Passo a camisa para o marido que desprendido e sem reparar
Come calado , interessado… na televisão.
Meu corpo velho cansado e triste
Pensa que a vida já não o quer, já não existe… nem é Mulher!
É quando o sonho me bate à porta
É quando o grito me abre a alma
E num abraço cheio de vigor peço da vida mais atenção
Desfaço nos dedos a solidão
Dou a mim mesma aquele amor, aquela rosa que não me deram
E sem saber porque é que o faço, saio porta fora… e grito : Não!
Mundo pequeno o que me ofereceram…
Vou eu à rua e volto a viver, volto a dançar, volto a cantar,
Faço teatro, canto canções
Como cantei ao embalar, filhos e netos que amo tanto
(e para eles ainda canto!)
E assim o tempo, não deixa tempo à minha esperança de liberdade
Porque sonhar … não tem idade!
Em cada etapa da minha vida, fui mãe, mulher, avó, fui tudo,
Tudo o que a vida me fez viver
Não vou esperar que o tempo passe… para morrer.
E nos jardins da minha vida
Eu não me sento p´ra descansar,
Sento-me sim para viver… para sonhar.
Abri as portas à fantasia, dei cor à vida a cada dia
E quando à noite o sono vem…
Sonho que sou uma rainha de um reino imenso da cor da vida
E nos cabelos da cor da neve…um sonho breve…
Deixei no chão o avental, não fiz jantar, não comprei pão
E nas gavetas da minha vida, fechei à chave a solidão.
E à noite… fiz chá de alegria…chamei à mesa todo o amor
Servi os doces a quem mais queria.
Fechei os olhos… adormeci…
Foi mais um dia menos um dia
Já não importa, porque o que importa …é que VIVI!!

Alexandrina Pereira