PresidenteRUTIS

O presidente da Rede de Universidades da Terceira Idade (RUTIS), Luís Jacob, apelou ao Governo para que crie um “enquadramento legislativo” para as 245 instituições espalhadas pelo país, frequentadas por cerca de 35.000 alunos.

Este será um dos temas a debater hoje no Congresso das Academias e Universidades Seniores, com o tema “As UTIs e a cidadania”, promovido pela Rutis e que decorre na Escola Superior de Educação de Santarém.

“Temos estado a negociar com o ministro da Solidariedade e Segurança Social o apoio às universidades e, neste momento, o que nos interessava era um enquadramento legislativo das universidades seniores, que neste momento não existe”, disse à agência Lusa o responsável.

Para Luís Jacob, a criação de um enquadramento legislativo seria também “uma forma de o Governo valorizar o trabalho que tem sido realizado” pelas universidades seniores, cujo “movimento vem todo da sociedade civil”.

“Em reuniões que temos mantido com o ministro Mota Soares há, pelo menos, a promessa de haver este reconhecimento do papel que as universidades seniores fazem em Portugal”, sustentou.

Estas universidades são “muito mais do que um espaço de convívio, são um local onde os seniores convivem, aprendem e se sentem úteis e isso reflete-se no dia-a-dia”, salientou.

Elucidou ainda que, quando os alunos vão para as UTI, consomem cerca de menos 20% de medicamentos do que os outros idosos e “o nível de depressão é muito menor”.

Luís Jacob ressalvou que as instituições “não querem uma legislação muito apertada, porque funcionam num regime de educação não formal”, e para não correrem o risco de perderem a sua identidade.

Nestas universidades “Não há faltas, não há habilitações, os professores são voluntários”, disse, adiantando que o importante é fazer um enquadramento que explique o que são estas universidades, a quem se destinam, as suas atividades e o que proporcionam.

O congresso realiza-se no âmbito do Ano Europeu da Cidadania. “Achamos que faz todo o sentido os professores, os alunos e os dirigentes das universidades seniores discutirem qual a participação que os seniores podem ter na comunidade”.

Segundo Luís Jacob, a RUTIS é a maior rede mundial de universidades seniores: “Não há nenhum país que tenha tantos alunos e tantas universidades” como Portugal.

“A França, onde nasceu o conceito, tem cerca de 45 universidades e Portugal tem atualmente 215. Somos um caso à parte no panorama mundial”, sublinhou, adiantando que ainda há espaço para alargar a rede.

Dois estudos realizados pela RUTIS em 2012 indicam que 82% das instituições defendem “algum tipo de certificação” para as UTI.

Referem ainda que 55% dos alunos pagam menos 10 euros, 38% pagam entre 11 e 19 euros e 7% mais de 20 euros.

Mais de metade (60%) dos professores são mulheres, a maioria com idades entre os 60 e os 70 anos, embora 27% tenham menos de 40 anos. O grau de escolaridade mais prevalente é o ensino superior (65,8%). A maioria (89%) dos professores dá aulas voluntariamente, sendo que 49% ainda exerce a sua atividade profissional.

Em média, cada UTI tem 20 professores, que dão duas horas de aula por semana.

Fonte: LUSA.