digitalizar0001

ENTREVISTA DO PRESIDENTE DO CONSELHO GERAL RUTIS AO “JORNAL SÉNIOR” (4/7/13)

 

Enquanto dirigente de universidades seniores, quais as suas perspectivas para o próximo ano lectivo, tendo em conta a conjuntura económica do país?

Muito embora o estado do país não seja esperançoso, a verdade é que, no nosso caso, as inscrições para o próximo ano lectivo estão a decorrer a bom ritmo, em linha com a normalidade.
Todavia nota-se nos alunos e suas famílias uma dificuldade económica crescente. Por um lado têm que reduzir despesas, por outro estão cada vez mais envolvidos no apoio financeiro aos filhos e netos, dado o flagelo do desemprego e a redução progressiva dos apoios sociais do Estado às famílias.

Quais as principais dificuldades com que se deparam nas vossas UTIs ? E a que se devem?

Até agora a maior dificuldade tem sido a falta de instalações próprias ou cedidas. Durante estes dez anos tivemos diversos espaços alugados, o que sobrecarregou bastante o nosso orçamento.
Todavia estamos em vias de iniciar o novo ano lectivo em instalações cedidas pela autarquia, as quais, sendo ainda diminutas, virão a ser objecto de ampliação em breve. Assim esperamos.
Também temos alguma dificuldade no recrutamento de docentes ou monitores para algumas áreas mais específicas.
 
Qual a importância de fazer parte do Conselho geral das UTIs?

Trata-se de uma oportunidade de, por um lado, servir as UTIS portuguesas e, por outro lado, de reforçar o trabalho da RUTIS, o qual tem sido muito importante para a promoção e o desenvolvimento das universidades e academias seniores no nosso país.
 
Considera que deveria existir uma maior participação das universidades seniores nas reuniões gerais?

Claro que sim. Acantonadas no seu espaço e isoladas, as UTIS não beneficiam da partilha e da experiência de outras instituições congéneres, o que não deixa de ser uma perda significativa, que pode pôr em causa até a continuidade de um projecto que necessita de renovação constante.

Qual o maior contributo da resposta social “Universidade Sénior” para o País?

A promoção do envelhecimento activo dos seniores, com claros benefícios em termos de saúde pública e de qualidade de vida, mas também os contributos que dão na área cultural. É bom não esquecer que estão hoje a chegar à idade sénior milhares de pessoas com formação académica, o que implica uma dada massa crítica.
 
Considera que a certificação das Universidades Seniores pode contribuir para uma melhoria da qualidade? Porquê?

A certificação é importante para trazer alguma ordem a este tipo de resposta social. Não se pode criar uma UTI só porque é moda ou por ser uma coisa que dá votos, e depois funcionar apenas como ponto de encontro, clube, colectividade ou centro de dia.
 
Que mecanismos dispõem as Universidades Seniores para divulgarem os seus projectos junto da população idosa?

A Rádio Sim tem sido uma boa parceira (na região do Vale do Tejo). A comunicação social em geral pode e deve desempenhar esse papel, mas é necessário saber lidar com ela.
 
Que mais valias culturais e sociais acrescentam estes “saberes” na população sénior?

Sobretudo a preservação da memória colectiva das populações, mas também das artes e artesanato, que se vão perdendo à medida que desaparecem os mais velhos.
Por outro lado, é também a capacidade de ver a sociedade em perspectiva, por parte de quem já viveu muito. O passado traz sempre luz sobre o presente.
 
Como se articula a selecção e continuidade de professores para as universidades já que a maior parte exerce em regime de voluntariado?

Há dois tipos de selecção. A primeira é a de entrada. O candidato tem que provar dispor de competências para ensinar numa área específica (através de CV e entrevista). Muitos são até recomendados por outros docentes já envolvidos no projecto.
A segunda é o que chamo selecção natural. Face aos alunos, o docente terá que ser um comunicador e ir ao encontro dos interesses da turma. Caso contrário a coisa não funciona.
Não esqueçamos que este tipo de ensino nada tem que ver com qualquer outro conhecido (crianças, adolescentes, jovens, adultos ou formação profissional), desde logo porque os professores são voluntários, e depois porque os alunos não estão ali obrigados, nem precisam de um certificado ou diploma. Se gostam, vão às aulas, senão…

 

Brissos Lino
Presidente do Conselho Geral da RUTIS e Reitor da UNISETI